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Psicologia no Desporto PDF Imprimir e-mail
logo_psicologia.jpg Psicologia no Desporto
Coluna da autoria de Maria Manuel Teixeira
Psicologa Clinica

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 Maria Manuel Teixeira
Psicóloga Clínica
Mestranda em Psicologia Educacional e Intervenção Comunitária


A RELAÇÃO TREINADOR-ATLETA
Quando a Coreia colocou o marcador em 3-0, nós olhámos uns para os outros sem compreendermos o que estava a passar-se. Mas, depois do que nos disse o treinador Otto Glória no intervalo, voltámos para o campo e foi o que se viu. Marquei quatro golos” (Eusébio, 1966, acerca do Campeonato do Mundo de Inglaterra).Este excerto demonstra bem a relevância que a relação treinador-atleta assume no processo desportivo. Na realidade, são os resultados desportivos obtidos pelos atletas que dão significado ao seu profundo investimento no processo desportivo, bem como ao dos treinadores e organizações desportivas.  A influência do treinador nos seus atletas será tanto maior quanto mais estes percepcionarem que o treinador compreende a vivência que estão a ter da situação competitiva, o que contribui, em grande medida, para a harmonia de pensamento e atitudes entre atletas e treinador, com significativo impacto no sucesso da díade. A relação diádica treinador-atleta não pode ser isolada do contexto em que está inserida, no entanto, deve ser sempre dada ênfase a três abordagens fundamentais:
a) Abordagem sócio-emocional: a intensidade da relação tem origem no profundo investimento numa actividade de grande significado que é partilhada por atleta e treinador, a qual tem expressão no intenso esforço desenvolvido durante o processo de treino, tal como nos largos e significativos períodos de vida partilhada ao longo do ano, e ainda nas emoções e tensões vividas em comum. O carácter único e específico da realização desportiva, reside no facto de ter na vitória um objectivo idealizado por duas pessoas - atleta e treinador – satisfeito através do acto desportivo desempenhado por um deles: o atleta. Assim se cria uma dependência mútua, em que o treinador tem como tarefa estimular a criatividade, a autonomia e a auto-confiança dos atletas, promovendo o desenvolvimento e o equilíbrio afectivo da díade, com vista aos resultados desejados. As motivações das crianças para o desporto reflectem a influência dos adultos significativos, emergindo o técnico como uma pessoa de referência, o que acontece especialmente na pré-adolescência e na adolescência, quando os jovens tendem a afastar-se da família, em busca de novos modelos com que se identifiquem.
b) Abordagem comportamental: o treinador é efectivamente um modificador de comportamentos e, no sentido de melhorar a prestação desportiva, deve avaliar o comportamento do atleta de modo específico e frequente; utilizar processos positivos de modificação comportamental; distinguir entre desenvolvimento e manutenção dos comportamentos desejados; encorajar os atletas a competir com eles próprios em função de padrões de excelência; auto-avaliar, experimentar e reavaliar constantemente os métodos de treino; e envolver frequentemente os atletas no processo desportivo e resultados dos treinos, projectados para os jogos.
c) Abordagem organizacional: a abordagem organizacional da relação treinador-atleta considera que ela tem lugar numa organização de características específicas, como é o caso do grupo desportivo. Este, insere-se num contexto organizacional mais vasto, surgindo o treinador como um líder que deve respeitar, quer os objectivos e metas organizacionais, quer as características dos membros do grupo e da organização, sendo a sua conduta reflexo das suas próprias características. É importante perceber que a influência do treinador vai muito além do contexto desportivo, interferindo na vida, no desenvolvimento e no crescimento pessoal dos atletas.
Saudações psico-desportivas, Maria Manuel Teixeira.

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